O Winning Eleven e a história do cara que não gostava de Winning Eleven
Publicado quarta-feira, 20/09/2006 r Clássicos , Divagações , Opinião 98 Comentários
Nerd, indie, anti-social, elitista ou metido a besta, podia me chamar do que quiser, mas eu nunca gostei de futebol. Não apenas “nunca gostei”, eu sempre achei patético. Não o esporte em si, mas a paixão doentia que esse povo carente do que fazer desenvolveu pelo esporte só porque calhou do país ter montado um time fodão lá na primeira metade do século passado.Eu sempre achei que existiam outros esportes muito mais bacanas e “incompreendidos” — ou melhor, não apreciados. Como o basquete, o tênis e o golfe, por exemplo. Entre futebol e qualquer outra coisa passando na TV, eu sempre preferi qualquer outra coisa. Enfim, além de um gaúcho que não gosta de churrasco, eu completava o combo sendo um brasileiro que não gostava de futebol.
Meu cunhado (ou concunhado, sei lá…) sempre trazia o PS2
Mas aí eu vim trabalhar na Futuro e a TV de sei-lá-quantas (mas-são-muitas) polegadas não parava de exibir o tal do WE nenhum segundo. As pessoas chegam e vão direto jogar, antes do expediente. Lá pelas seis da tarde, a mesma coisa: já começa a fila pra “saideira”. Cara, vou te dizer, o pessoal daqui joga dezenas de jogos pra fazer review, preview, detonado e o escambau, mas nenhum jogo chega perto do monopólio que o futebol virtual exerce sobre a tela da TV. Isso que o Winning Eleven não é pauta há muito tempo.
Quando eu entrei aqui, podia me apoiar no Jô, que compartilhava comigo do sentimento de repúdio mortal e “não-sei-como-vocês-conseguem-gostar-disso”, mas o colega saiu da empresa duas semanas depois que eu entrei. Aí a biologia e as aulas de seleção natural entraram em ação e eu tive que dar o braço a torcer.
Claro que eu comecei de leve, simplesmente parando de menosprezar o jogo. “Ah, se o pessoal só joga isso o tempo todo, alguma diversão há de ser.” E daí a começar a arriscar umas partidinhas (sempre repetindo para mim mesmo a desculpa de que “se eu não jogar isso, não vou jogar mais nada”), não demorou quase nada.
No começo era só pelo social, sabendo que eu ia perder vergonhosamente 11 de cada 10 partidas que eu jogasse, mas logo eu já estava me interessando por aqueles pontinhos coloridos e aquela lista de opções que aparecem antes do jogo. “O que será que acontece se eu futricar nisso aqui?” Óbvio que eu comecei fazendo muita merda, como fazer formação 5-4-1 e recuar toda a zaga, exterminando até mesmo com a mais remota chance de passar do meio de campo, mas eventualmente eu aprendi mais ou menos como se faz. E assim eu começava a vencer as minhas primeiras partidas (passei a perder só 9 de cada 10).
O coincidente fato de eu ter comprado o meu PS2
Resultado: hoje o Winning Eleven 9 (eu ainda prefiro a mobilidade e agilidade do 10, mas o pessoal da redação adora a dureza que eles chamam de “realismo” do 9) é o meu passatempo oficial entre os textos. Antes de começar a trabalhar, nada melhor do que passar a bola para o Owen, enfiar pela lateral esquerda, no pé do Joe Cole e depois cruzar rasteiro na entrada da área e dar aquele chutão de primeira com o Gerrard. Ainda mais se o adversário for o Testa ou Minatogawa, os terrores da redação.
É, não que agora eu ame futebol (eu ainda nunca iria a um estádio, nem morto), mas o tal do Winning Eleven conseguiu me deixar bem menos chato.

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